Consciência Política – debate com a Banda Da Guedes

Imagine um programa de auditório em que a platéia, formada por estudantes, dá sua opinião sobre temas como violência, oportunidades de trabalho, a ameaça das drogas, as doenças sexualmente transmissíveis… e política. Imagine que o ponto de partida para a discussão sejam as letras de bandas e artistas oriundos dessa mesma realidade – os bairros mais pobres. E que esse programa seja produzido por uma emissora de TV pública. Esse programa existe, se chama Câmara Ligada, é uma produção da TV Câmara.

O Câmara Ligada vai estimular os jovens que não têm intimidade com a política a debater temas de seu dia-a-dia. Será também um canal de comunicação entre o Parlamento e o público-alvo, situado na faixa etária entre 15 e 24 anos, a mesma usada pela ONU para definir juventude. São cerca de 34 milhões de brasileiros nesta idade, segundo o censo de 2000. Jovens que em sua maioria têm uma certa rejeição à política, resvalando para o descrédito em relação às instituições democráticas. A pesquisa “O jovem, a sociedade e a ética”, realizada pelo Ibope entre julho e agosto deste ano, aponta que 85% dos cariocas entre 14 e 18 anos não confiam na classe política. E 46% dos jovens acreditam que o Brasil será pior daqui a alguns anos.

O programa começou a ser produzido há três anos pela TV Câmara, em parceria com a a Unesco, o Sesc e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi). O Câmara Ligada busca responder às questões levantadas no livro “Remoto Controle – Linguagem, Conteúdo e Participação nos Programas de Televisão para Adolescentes”, editado pela ANDI, Unicef e Editora Cortez. A obra analisou todos os programas já produzidos para jovens no país e concluiu que, neles, os brasileiros com menos de 24 anos são relegados ao papel de figurantes. No Câmara Ligada, eles passam a ser protagonistas.

O programa de estréia tem como atração o grupo de rap Da Guedes, do bairro Partenon, periferia de Porto Alegre. O nome vem da rua onde os integrantes se reuniam, a Guedes da Luz – nome do comandante da Revolução Farroupilha cujos soldados tinham como lema “Morro Seco Mas Não Me Entrego”, bastante apropriado para a temática do programa. Assim como os soldados farrapos, o Câmara Ligada incentiva os jovens a aderir à política – no sentido de poder transformador – e lutar por seus objetivos.

O programa de estréia conta também com as presenças do cientista político Cristiano Noronha, de Brasília, e da socióloga baiana Mary Garcia Castro. Também do Rio Grande do Sul, Rubielson Athayde e Camila Ferrão, da ONG Canta Brasil, que resgata a cidadania e dá formação profissional ensinando crianças e adolescentes a dançar e cantar.

A definição de pautas, da abordagem, do cenário e todo o processo que envolveu a criação do Câmara Ligada resultou do trabalho de dois conselhos montados para colaborar com a equipe da TV Câmara. O primeiro, formado por jovens identificados em uma pesquisa de opinião realizada com cerca de 500 estudantes em diversas escolas de Brasília. O segundo, composto por especialistas em juventude, com representantes dos parceiros oficiais Unesco, Andi e Sesc e da professora Vânia Lúcia Quintão Carneiro, da UnB.

O Câmara Ligada tem duração de 1 hora e meia. O de estréia tem a participação de 100 alunos do Centro de Ensino Médio nº1 de São Sebastião, Brasília.

Cada programa enfocará um tema específico, pautado pelos próprios jovens. O Câmara Ligada é apresentado por Evelin Maciel, dirigido por Roberto Tavares e a produção é de Cláudia Brisolla, Shirley Farias e Isabele Carvalho.