PRODUÇÃO AUDIOVISUAL DA NEGRITUDE

A falta de representação dos negros nas produções artísticas é uma realidade. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema, apenas 2% das obras de longa-metragem lançadas comercialmente são realizadas por homens negros e 0% por mulheres negras. Desproporção similar acontece na participação dos negros no elenco principal dos filmes, na equipe técnica e também no acesso a incentivos financeiros via editais e fundos de investimento. Por isso o Câmara Ligada dessa última sexta-feira (23) debateu o tema, que para a sociedade é de muita importância.

No início do programa recebemos o canto e compositor brasiliense, Hodari, que atua na música há 10 anos, e desde pequeno tem influências na cultura da música trazida pela sua família, mas ele ficou conhecido depois do hit “Teu Popô”, que ficou na lista das músicas mais ouvidas nas plataformas digitais em 2018 e é considerado um dos promissores nomes da cena R&B brasileira. Com suas músicas que falam de amor, o artista encantou a plateia que foi composta pelas escolas do Centro Educacional São Francisco, do Instituto Federal de Brasília e da Universidade de Brasília.

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Cantor e compositor brasiliense, Hodari.

Para enriquecer o debate recebemos no palco a mestre em comunicação pela Universidade de Brasília, Aida Feitosa, que ainda atua como professora da disciplina Cinema Negro, da UnB, e é pesquisadora de cinema com ênfase nas temáticas de racismo, ações afirmativas e identidade negra, e também, Melina Bonfim que é uma jovem realizadora brasiliense que trabalha em diferentes produções nacionais. Ela foi curadora da recente mostra Cine Curta Brasil edição ‘Visionária – O olhar da mulher negra’. A blogueira desta edição foi Ana Caroline, estudante de cinema e integrante do Conselho Jovem do programa.

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Melina Bonfim e Aida Feitosa.

O tema foi bastante discutido durante o programa e causou grande curiosidade na plateia, que fez diversas perguntas para as convidadas. Não foi difícil perceber que mesmo com tantos recursos multimídias, que a internet disponibiliza, a produção audiovisual da negritude, ainda hoje, torna-se  difícil devido a grande luta que ainda enfrentamos contra o racismo. A plateia saiu do programa com outra visão sobre o que é a verdadeira representação dos negros na sociedade e nas mídias, o tema foi enriquecedor e trouxe um grande aprendizado para quem pôde acompanhar.

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Apresentadora, Rayla Alves, blogueira, Ana Caroline e plateia.