Cultura do Funk

Pode parecer estranho associarmos o termo cultura ao universo funk, mas ele é cultura sim, inclusive reconhecido por lei. Em 2013 a Comissão de Cultura da Câmara  caracterizou o ritmo como manifestação cultural, porém, no Rio de Janeiro o funk já é considerado patrimônio cultural desde 2009. Isso significa que o estilo musical é uma expressão característica brasileira e que o poder público tem o dever de preserva-la e garantir que ela se desenvolva.

Porém nem sempre foi assim, o ritmo já foi muito criminalizado e a realização de bailes funk já chegou a ser proibida em alguns Estados. Até hoje o funk sofre grande preconceito em relação aos outros gêneros musicais. Muitos recriminam as letras de funk que falam sobre bandidos, tráfico de drogas ou estigmatizam as mulheres. Outros reprovam as festas pelo excesso de apelo sexual. Os funkeiros se defendem afirmando cantar somente a realidade que vivem – com suas qualidades e seus defeitos. E ressaltam também o preconceito que as elites têm contra essa que é uma manifestação da periferia, idealizada e vivida principalmente por negros e por pobres.

Para discutir esse tema convidamos o professor de Filosofia do CEM-03 de Taguatinga ANTONIO KUBITSCHEK, que fez uma citação a Valesca Popozuda numa prova escolar e  ganhou repercussão nacional, a jornalista e escritora do blog socialista morena CYNARA MENEZES, IONARA SILVA,  jornalista, produtora cultural e assessora da Coordenadoria da Juventude, além da galera do DREAM TEAM DO PASSINHO.

Debate sobre o funk. Fotógrafo: Luis Macedo

Debate sobre o funk. Fotógrafo: Luis Macedo

 

Dream Team do Passinho. Fotógrafo: Luis Macedo

Dream Team do Passinho. Fotógrafo: Luis Macedo

 

Durante o debate tocamos em vários aspectos diferentes do funk, como o papel da mulher, funk ostentação, os “rolezinhos” e, é claro, o aspecto cultural do estilo. Para socióloga Sinara o uma discussão que se coloca muito no Brasil é o que é considerado cultura. ” Há pessoas que defendem que a cultura só pode ser aquela que está nos museus, a que vem de cima para baixo. Mas o funk mostra que não, que a cultura pode ser inclusive aquela que vem da favela para fora, hoje temos pessoas de classe média ou classe media alta dançando funk ” afirma. Para o professor Kubitschek, o principal motivo do funk sofrer preconceito é por vir de uma camada da população muito descriminada, a favela. “A gente não pode escutar funk porque funk não é erudito” coloca.

A galera do Passinho concordou que o preconceito com o ritmo é também um preconceito com a favela, mas que o funk tem conquistado cada vez mais espaço, inclusive ultrapassado os limites do território nacional “o funk com o tempo está contagiando tudo não só a favela. Tem pessoas estrangeiras que quando passam a conhecer o funk se apaixonam e querem participar desse universo” diz.

Dream Team do Passinho no Câmara Ligada. Fotógrafo: Luis Macedo.

Dream Team do Passinho no Câmara Ligada. Fotógrafo: Luis Macedo.