Câmara Ligada revisita a Ditadura

Em abril, o Brasil completa 50 cinquenta anos desde o golpe que iniciou a Ditadura Militar, período de repressão que durou mais de vinte anos e terminou em 1985. Torturadores do regime chegaram a matar centenas de pessoas, a maioria registrada como “desaparecida” ou “morta em confronto”.

Ditando o som, Kamau é um rapper da Zona Leste de São Paulo e skatista profissional há mais de vintes anos. Foto: Luis Macedo

Ditando o som, Kamau é um rapper da Zona Leste de São Paulo e skatista profissional há mais de vintes anos.
Foto: Luis Macedo

O período mais repressivo do governo militar teve como ponto alto o ano de 1968, quando foi decretado o Ato Institucional Número 5 (AI-5). A partir daí, o Congresso Nacional foi fechado e as liberdades individuais passaram a ser duramente reprimidas.

“A Ditadura brasileira funcionou com uma ideia chave que está presente até hoje dentro das Forças Militares, que é a do ‘inimigo interno’. Diziam que a pessoa que está ao seu lado pode ser seu inimigo, então você tem que combatê-lo”, explicou VITOR DE LIMA, especialista político convidado para o programa.

O cientista político convidado, VITOR DE LIMA, é um dos mais jovens membros da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro Foto: Luis Macedo

O cientista político convidado, VITOR DE LIMA, é um dos mais jovens membros da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro
Foto: Luis Macedo

Manifestações, reuniões sem autorização e exaltação de símbolos da esquerda eram motivo de perseguição pelas autoridades, que utilizaram instrumentos de tortura como “pau-de-arara” e “cadeira do dragão” nas dependências do DOI-CODI, uma espécie de prisão arbitrária para contestadores “insurgentes”.

A deputada JÔ MORAES, outra convidada do programa, viveu na clandestinidade durante dez anos e chegou a fazer reunião em um motel para despistar a polícia na época.  Em uma das vezes que foi presa, distribuía panfletos contra o regime na porta de uma fábrica.

 A Deputada Jô Moraes foi presa duas vezes durante a Ditadura Militar e critica a polícia militar. “O que ocorreu com o Amarildo e ainda ocorre duzentas mil vezes é crime!” Foto: Luis Macedo

A Deputada Jô Moraes foi presa duas vezes durante a Ditadura Militar e critica a polícia militar. “O que ocorreu com o Amarildo e ainda ocorre duzentas mil vezes é crime!”
Foto: Luis Macedo

Se ainda vivêssemos sob a sombra da Ditadura, provavelmente teríamos a internet e as redes sociais censuradas, assim como se fazia com a televisão, os jornais e as músicas daquele período. Festas poderiam ser confundidas com atos de subversão.

E aí, o que você acha de tudo isso?  Qual a importância de se pensar sobre os fantasmas do passado? E o que falar de nossa sociedade atual: é realmente e totalmente democrática? Como já dizia um chavão, o povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la.