Câmara Ligada, rap e democracia

Há 50 anos, o Brasil entrou em um dos períodos mais repressivos e violentos de sua história. O Golpe de Estado de 1º de abril de 1964 tirou do Poder o presidente em exercício da época e colocou militares no comando do país por 21 anos, até a redemocratização. A herança desse período é o tema desse programa.

Participaram do programa o cientista político VITOR DE LIMA GUIMARÃES, assessor da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro; o ex-policial militar DARLAN MENEZES ABRANTES, autor do livro “Militarismo – um sistema arcaico de segurança público”; a deputada JÔ MORAES, presa duas vezes durante a Ditadura; e ALEXANDRE MOURÃO, integrante do grupo “Os Aparecidos Políticos”. A atração musical ficou por conta do rapper KAMAU.

O programa dessa semana falou sobre os fantasmas da Ditadura e violência policial nos dias de hoje: ainda vivemos sob repressão?
Foto: Luis Macedo

“O rap é a parte de provocar o pensamento, porque tem muita coisa que não é falada. Fazer pensar é a principal maneira de derrubar um monte de barreira que existe”, explicou KAMAU. E não é a toa que o rap dite o som deste programa. Ao ser trazido pelos jovens das periferias de grandes cidades brasileiras, o rap está muito ligado à contestação e denúncia da violência praticada pelo Estado e pela polícia ainda hoje, mesmo após 20 anos de democracia.

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O rapper KAMAU cantou cinco músicas de sucesso, entre elas “Por onde andei”, “Só” e “Eu quero mais”
Foto: Lúcio Bernardo Júnior

Defendido por grande parte da classe média e da mídia na época, a Ditadura Militar se sustentou com muita propaganda. O “Milagre Econômico” vendia o desenvolvimento do país, a cabo de grandes obras como a Ponte Rio-Niterói e a Transamazônica. O outro lado da história, porém, era bem diferente: não existia liberdade de expressão, e quem contestasse o sistema era enquadrado.

Para o ex-policial DARLAN MENEZES, expulso da Corporação por defender a desmilitarização da polícia, a ditadura ainda é viva no Brasil. “A democracia ainda não chegou na segurança pública. Eu fui expulso por causa de um livro”, disse. Autor de críticas ao modelo policial vigente no país, implantado com o militarismo ainda durante o regime, Darlan está há 13 anos longe da profissão.

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DARLAN MENEZES, ex-policial: “Não existe democracia. Eu fui expulso por causa de um livro”
Foto: Luis Macedo