arte e espaço público

Às vezes por meio da arte, outros momentos com palavras de ordem e, frequentemente, com bicicletas ou skates acontece a ocupação das nossas cidades. Espaços ociosos se tornam tela para pinturas ou pistas para diversos esportes. Esse foi o tema do último Câmara Ligada e nós aproveitamos o Movimento Hot Spot em Brasília para conversar com algumas pessoas e perguntar: qual a importância dos espaços públicos?

Brasília é considerada arte por si só, ainda mais para os amantes de arquitetura. Para o artista Thiago Lucas, 27, a capital oferece uma oportunidade de contato com o Modernismo e isso já infere na relação arte com espaço público.  “A contemplação aqui é constante pela arquitetura modernista e tem, de fato, formas muito próprias, além de Niemeyer tem Athos Bulcão e convive com isso de uma forma positiva. Seja andando pelo Parque da Cidade  ou pela Universidade de Brasília”, afirma Thiago.

Thiago Lucas - Espaços Públicos

Thiago Lucas

O Museu Nacional da República é espaço para diversos eventos culturais da cidade. O ambiente amplo que abraça os usuais skatistas e patinadores, também recebe manifestações artísticas. A mais comum são as projeções visuais no círculo de cimento de Niemeyer, como relembra Thiago. “Uma das coisas que eu mais gosto quando tem show no museu nacional são as projeções, aquela ocupação artística é incrível, é válido interagir de formas diferentes”.

O debate passa também pela divisão entre centro e periferia. Qual desses dois espaços é mais ocupado? Para o designer Jean Matos, 28, o fluxo de pessoas é a resposta – por isso o centro é onde a ocupação acontece em maior número. Mas ele defende que a periferia devia ter mais movimentos para usufruir do espaço. “Nas periferias, tem pessoas que não esperam algum tipo de interferência no meio delas e quando acontece é mais interessante o impacto. Quando é no centro, pode passar até batido por ser algo de costume”, conta.

“A cidade é de todos e, infelizmente, tem gente que acha que é poluição visual, não é bonito e, por isso, é meio complicado você equilibrar essas duas coisas. Poderia ser algo livre, mas não sei se tudo que é livre hoje em dia funciona tão bem”, diz Jean. O designer menciona ainda Berlim como um exemplo de cidade que abraça a arte e deixa um ambiente com mais liberdade para os artistas ocuparem os espaços públicos sem tanta mediação do governo.

Jean Matos - Espaços Públicos

Jean Matos

Quem tem um trabalho voltado para o uso desses espaços é pessoal do VJ Suave, pensado por Ygor Marotta e Cecília Soloaga. Os dois ficaram conhecidos por espalhar  em São Paulo a seguinte frase: “mais amor, por favor”. A ideia tomou proporções virais e ocupou as redes sociais intensamente, além das paredes de muitas cidades por aí. Ygor afirma que a sociedade precisa entender a importância das praças e mostrar para o governo que os espaços são ocupados. “Você precisa ter relação com a  cidade, não é só ir ao shopping ou marcar em um bar, você precisa ter um espaço aberto para dar uma relaxada ou para andar de skate. Hoje, a galera está começando a se conscientizar para ocupar esses espaços para interagir com mais gente sem necessariamente gastar dinheiro”, explica Ygor.

Yuri e Cecilia - Espaços Públicos

Ygor Marotta e Cecília Soloaga

O diretor de conteúdo dos principais eventos de moda do Brasil, SPFW e Fashion Rio, Augusto Mariotti, elogia as iniciativas que repensam a arte como algo não só para museu e defende a democratização da área. “Levar a arte ao encontro das pessoas é uma grande mudança de comportamento e isso é muito bacana, porque você tá tirando do museu, que é um único lugar, que nem todo mundo consegue chegar por causa do transporte, e levando para todos os lugares”, aponta Augusto. “As pessoas tem que entender que elas podem fazer mais por aquele espaço público”, defende.

Augusto Mariotti - Espaços Públicos

Augusto Mariotti

Para conhecer mais o trabalho do pessoal do VJ Suave é clicar aqui: vjsuave.com
O Jean Matos também tem site ó: jeanmatos.com
O design do Thiago Lucas pode ser conferido nesse link: cargocollective.com/thiagolucas

E na sua cidade, como acontece a ocupação artística do espaço público?