Politicamente (in)correto

Por Bia Cardoso

O politicamente correto é chato e está limitando o humor? O politicamente incorreto é preconceituoso? O tema do próximo Câmara Ligada é o politicamente (in)correto. Na gravação do dia 05 de abril estiveram presentes: a Deputada Erika Kokay, a atriz Sabrina Korgut, o diretor Pedro Arantes e a Banda Uó.

Seja na música, na literatura, na televisão, na internet ou outro espaços, as diferentes formas de expressão vem sendo questionadas. Isso é bom, porque para construir uma sociedade mais justa e igualitária é preciso debater e discutir quais são as bases de nossa sociedade. Porém, muitas pessoas acreditam que quando reclamam de determinadas piadas, de livros do Monteiro Lobato ou de peças publicitárias está havendo censura ou que o mundo está muito chato.

Banda Uh Oh! Camara ligada

Então, a primeira pergunta que devemos fazer é:  o mundo está chato para quem? A segunda é: as pessoas sabem o que censura significa? Durante muito tempo, grupos historicamente marginalizados não tiveram voz na sociedade. Negros, mulheres, indígenas, homossexuais, transexuais, deficientes, entre outros, eram considerados cidadãos inferiores e a linguagem sempre refletiu o preconceito. Porém, hoje vários desses grupos tem poder e voz para levantarem e exigirem respeito. Isso chama-se democracia, não censura. Nem é o fim da liberdade de expressão, porque agora todos tem o direito de se expressarem e também de receberem críticas.

Durante o debate do programa Câmara Ligada falou-se muito sobre humor, a construção inteligente do humor, desconstruindo estereótipos e questionando papéis sociais. A atriz Sabrina Korgut defende o politicamente incorreto nessas bases, o humor pode falar de tudo, mas com inteligência e as pessoas também podem reclamar do que não gostaram, faz parte. Os integrantes da Banda Uó são extremamente irreverentes e seu estilo é uma representação bem humorada de suas músicas, mostrando que a linguagem está em todas as formas de expressão.

Banda Uh Oh! Camara ligada

Pedro Arantes, diretor do documentário ‘O Riso dos Outros’, contou que foi importante ouvir ambos os lados da discórdia para compreender que as pessoas realmente riem do próprio preconceito, sem reconhecê-lo. A deputada Érila Kokay defende o politicamente correto como uma maneira de questionar nossos valores sociais e criticou aqueles que bradam serem defensores do politicamente incorreto apenas para garantirem “seu direito” de ofender os outros.

É ótimo ver um debate como esse sendo realizado pela Tv Câmara. A pauta dos Direitos Humanos está, atualmente, na mídia e na Câmara Federal, portanto, é preciso uma discussão ampla sobre representação política e os discursos decorrentes do preconceito. O programa vai ar no dia 12 de abril às 23h. Não perca!