Bastidores: Esse é o Brasil que nós queremos?

O blogueiro convidado para atualizar o nosso blog durante a gravação do programa sobre acesso à universidade  foi o André de Castro. Ele é estudante de jornalismo e tem o blog: http://www.andredecastro.blogspot.com/. Confira o texto dele!

O blogueiro André de Castro escreve sobre acesso à universidade

No palco do Câmara Ligada estão presentes Ivann Yanovick, presidente da União Brasileira de Estudantes, Izalci, Deputado Federal que é conhecido por lutar pela educação no Distrito Federal e o professor Remi Castione, da faculdade de educação da UNB. Ambos debateram o sistema de ingresso nas universidades brasileiras.

Se o Deputado Izalci foi bolsista? Foi sim. O sonho do político era fazer UNB, disse no início do programa. Mas infelizmente teve que remar no mesmo barco da maioria daqueles de classe média baixa e pagar uma universidade. E naquele momento os alunos que lotam o auditório do programa Câmara Ligada o olham fixamente, enquanto revela que não existem vagas nas Universidades para todos os estudantes deste país.

E pela fala do deputado alguns abaixam a cabeça. E a garota ao meu lado cochicha novamente: “acho errado os ricos cursarem o ensino superior de graça e os pobres pagarem”.

As perguntas da platéia começam a aparecer. A garota quer saber o porquê do ensino no Brasil ser tão desigual. O deputado tem a resposta na ponta da língua: diz que o pior problema do Brasil hoje, relativo à educação, é a falta de recursos destinados a essa área. Um dos agravantes, de acordo com ele, é a desvalorização do professor. “1% de investimento em educação é muito pouco” afirma o Deputado. Izalci acredita que o aluno da universidade pública, depois de formado, deveria devolver o dinheiro do custo de sua universidade para o estado e esta verba revertida para a educação, “pois os alunos que precisam de financiamento devolvem”.

Quem é que passa no vestibular hoje? Alguém da platéia faz a pergunta. E o professor Reni responde: são os garotos de classe média alta, aqueles que estudaram em escolas privadas, o pai tem dinheiro e o garoto não precisa trabalhar. Esse garoto com mais dinheiro e tempo para estudar consegue decorar tudo aquilo que os exames de admissão exigem. Pra ele o “ENEM não trás grandes inovações” quanto ao que os alunos mais reclamam: “a decoreba sem fundamento”. Melhorar o ensino público seria a solução para que os jovens possam competir de igual pra igual. Não precisem passar pela “decoreba”.

Yanovick nos revela: entre as reclamações chegadas até ele sobre os sistemas de avaliação nos vestibulares, e no ENEM, constam casos em que a pessoa ficou presa no elevador, chegou cinco minutos atrasado e não pôde fazer a prova, gente que teve o portão batido na cara. E os casos mais graves são aqueles onde ocorre a desigualdade na disputa pelas vagas, quem não teve uma boa preparação já está eliminado pela desigualdade do sistema.

Música e escola combinam?

Pingüim, esse é o nome artístico do guitarrista da Fake Number, prestou vestibular, passou, mas em função da agenda da banda não pode continuar os estudos. Revelou ainda que a coordenadora de seu colégio fazia “vistas grossa” quando ele faltava de aula para tocar (todos riram) “as professoras e até a coordenadora me apoiava quando ia tocar” disse o músico.

E por fim a triste revelação de Ivann Yanovick, se referindo à implantação do ensino superior no país: Ainda tem gente no mundo com o pensamento ultrapassado de que se a turma da escola publica entrar na universidade irá rebaixar o status de academia. Os convidados do programa concordam que o ensino médio não oferece uma boa qualidade de ensino e, por tanto, os alunos não conseguem competir por igual. Ivann nos confirmou, o que não era novidade pra ninguém, a universidade foi criada para a os ricos, seu principio base foi à exclusão onde as classes menos favorecidas socialmente não tinham acesso, “isso tem que acabar” disse.

E pelo que pudemos entender do debate, seja qual for o sistema de admissão ou cotas, grande parcela dos jovens que estão no ensino médio não terá a oportunidade de entrar no ensino superior. Esse é o Brasil que nós queremos?

André de Castro